quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Vou ali e, já, volto já.

Saio em pequenas férias na roça e é pouco provável que encontre acesso a computador por lá, de sorte que esta Pobre Rima deve retomar suas atividades ali pelo sábado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Calmaria

Vinho do Porto à aguarrás
sem louça manchada, sem domingo
sem macarronada.

Roleta polaca
e o cartucho vale um dez
em miligramas mal dosadas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

(mais uma) Da série Ah, a academia!

Eu não tinha pretensão alguma de tecer novamente qualquer espécie de comentário a respeito do vestibular, mas a prova de História, aplicada hoje, trouxe uma questão que me deixou encafifada.
Os caras pediam pra que o vestibulando, um sujeito de, em média, dezessete anos nem bem graduado no Ensino Médio, discorresse acerca das “características do teatro na Grécia antiga”.
Lá na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, nas aulas de Teatro Grego do Professor Torrano e da Adriane, soube da existência de tragediógrafos, comediógrafos e lances desse gênero. Até o final do colegial, eu poderia jurar que Jocasta era, originalmente, personagem de novela global.
Lembrei, lendo a pergunta, da aula inaugural do curso de Letras no ano de 2000, na qual o Professor Alfredo Bosi verteu lágrimas saudosas daquele tempo da Maria Antônia, quando os estudantes adentravam a Universidade de São Paulo compreendendo Latim.
Sacanagem, Fuvest!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Da série Ah, a academia!

Duas pendências me deixaram de molho na capital durante este início das férias escolares. A primeira, obviamente, foi a falta de grana; outra, a segunda fase da Fuvest. Presto agora, graduada em Letras, História.
Hoje foi dia da prova de Língua Portuguesa, na qual passei cerca de vinte e oito minutos procurando lembrar qual é o nome do autor de Canção do Exílio. Me vieram à memória as versões do Seno e Cosseno que o Empadinha ensinou no colegial, a do Oswald de Andrade, Antonio Carlos de Brito, Murilo Mendes, Drummond.
O que, em primeiro lugar, fiz ao sair da Escola Politécnica, onde realizei o teste, foi acender um cigarro. Em seguida, liguei pra minha mãe e perguntei se “quem disse que minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá foi o Gonçalves Dias?”. Meio reticente, respondeu que sim.
Chupa, Fuvest!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Remissiva

A gente pega um dinheiro e – não, não é roubo – pega da gaveta e ele nem dá por falta, você vai ver só, porque ele tem mais, você acha que isso aí – você acha? – acha que é a providência toda dele? não, não é, eu garanto – pela minha mãe do céu garanto – te garanto que essa pouca miséria nem faz falta; então a gente pega o dinheiro dele – não se apropria, a gente empresta, eu disse, é um empréstimo – a gente pega – que nem há de fazer tanta falta assim – e daí a gente vai embora – não foge, vai embora – a gente vai pra bem longe – sem fugir – vai pra longe e eu pensei no Amazonas que lá eu tenho uma tia velha – nossa dindinha, você conhece a dindinha? – e dindinha nem abre a boca se a família cria caso por conta disso e – nem ninguém chia, você sabe – ninguém abre a boca; aí a gente vai – você até vai gostar de lá que tem até muito pássaro bonito – e a gente fica lá até o mano se acostumar com essa nossa idéia – logo se acostuma o velho – e depois de aceitar isso – ele logo aceita porque não dá nem pela falta – depois de aceitar a gente volta ou a gente pode ir pro Rio de Janeiro – o que você acha, hein? – a gente vai lá pro Rio de Janeiro e vê o Cristo – eu sempre quis ver o Cristo – e vamos conhecer o Cristo e pular carnaval lá no Rio de Janeiro e – aí é se você quiser – e se você tiver vontade, num dia a gente volta do Rio de Janeiro – depois da gente pular o carnaval e ver Cristo – a gente volta um dia pra você ver suas crianças, mas isso se você faz questão, não é? que depois não quero ainda ouvir que – e isso é uma bruta mentira – não quero depois nem ficar escutando por aí que eu não faço o de tudo pra agradar minha neguinha, e eu – justo eu – e agora – agora a gente já falou demais – até agora não ganhei nem um cheiro – eu que faço só o do teu agrado – e nem ganho um cheiro. Vem cá.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Épico em versos anti-heróicos

Foi que depois de cinco-horas-quase-seis in medias rés levantou-se da cama. A gata havia de estar com fome e o apartamento precisava de faxina. Banheiro. Inferno de urina e imundície até última fresta de espírito. Espelho partido: revés tenso de sete olhos. Bateu a porta. Grunhiu, emperrou. Calcanhares trêmulos e cozinha. Formiga, formiga, e ainda pensou que àquelas horas podia estar longe dali. Ralhou consigo por não sei quê. Coma ervilhas. Abriu lata, cortou dedo, chupou sangue, bebeu da água salgada. Chutou a gata estrupício. Formiga. Formiga. Ligou o rádio e deu cabo na vassoura. Desgraça sem fim. Encera-se o chão e dá-lhe amoníaco. Morram, diabas. Podia, devia e sabia, estar longe dali. Tomou banho, maldisse a vida e voltou pra cama. Lá pelas tantas, seu homem chega.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Panacéia

Contra canto encantado
Esconder nalgum canto
Qualquer

Se amarrar bem no mastro
Do bom marinheiro
Ninguém

Por detrás nós atados
Nós cegos
Pronominais